Bom, segue finalmente o texto que era para estar no blog na semana passada, mas que por motivos de forças maiores e menores, só hoje estou postando.
Apesar de pouco difundida no país, uma das principais organizações de promoção da sustentabilidade corporativa no mundo é o Carbon Disclosure Project (CDP), entidade sem fins lucrativos que surgiu em 2000 a partir de iniciativa do governo britânico e financiada, inicialmente, pelo Carbon Trust. De forma bem simplista, diria que o CDP atua como um inventariante dos carbonos emitidos pelas empresas.
De forma mais com

plexa, o CDP é hoje o maior banco de dados do mundo sobre o assunto. Sua função é, fundamentalmente de governança, o que se convencionou a chamar de governança climática, já o relatório gerado auxilia as empresas a medirem e divulgarem seus impactos em relação às mudanças climáticas com o objetivo de fornecer aos investidores e gestores de planejamento estratégico informações confiáveis sobre as organizações em contraponto ao risco financeiro acarretado.
A mecânica de funcionamento é relativamente simples: o CDP envia anualmente um questionário a mais de 3700 empresas no mundo inteiro dos mais diversos setores para coleta de informações relacionadas a políticas de emissão de carbono. Por mais que a devolução do questionário respondido seja de caráter voluntário, para se ter ideia da força do CDP, a entidade conta hoje com 534 investidores (475 no ano passado) que apoiam a iniciativa.
O que começou em 2003 com 235 relatórios, em 2008 já alcançou 2204 relatórios e hoje já passa dos 2500 em todo mundo. Esses relatórios são auditados pela PriceWaterHouseCoopers, uma das BIG 4 em auditoria. Até 2008 o índice de respostas girava em torno de 50%, sendo que cerca de 20% das 500 maiores empresas do mundo se recusavam a fornecer informações sobre suas emissões de gases do efeito estufa.
Mas a mentalidade de prestação de contas voluntária está mudando. No Reino Unido, por exemplo, berço do CDP, o índice de respostas em 2009 foi de 95%. Surpreendentemente o Brasil aparece em segundo lugar, com 78%. Aliás, além do bom desempenho brasileiro no envio das informações, já somos 53 dos 534 investidores institucionais.
Só para finalizar o tema, e ainda pegando um gancho sobre o assunto passado, alguém aqui se lembra de um anúncio da Vale no ano passado ou retrasado, falando justamente sobre o relatório do CDP e de que ela tinha zerado as emissões de carbono? Alguém se deu conta ou questionou que a maior parte das árvores foi plantada a milhares de quilômetros de distância de onde os impactos ocorreram. Pergunto: isso é sustentabilidade? Porque a propaganda em cima disso foi forte.